O fabricante de determinado modelo de automóvel afirma que seu desempenho médio é de 12 k m / l de gasolina. Testes foram feitos em 36 desses veículos, escolhidos ao acaso, e apurou-se um desempenho médio de 10,8 k m / l . Admita que o desempenho siga o modelo Normal com variância igual a 16 k m l 2 . Através do p-valor execute os dois testes, itens (a) e (b) a seguir, com relação a afirmação do fabricante:

(a) H 0 :   μ ≥ 12 k m / l contra a alternativa H 1 :   μ < 12 k m / l . Que decisão deve ser tomada ao nível de 5%?

(b) H 0 :   μ = 12 k m / l contra a alternativa H 1 :   μ ≠ 12 k m / l . Que decisão deve ser tomada ao nível de 5%?

(c) No item (a) obtenha a região de rejeição com α = 5 % . Se, de fato, μ = 10 k m / l , isso corresponderia a que valor da probabilidade do erro tipo II?

Passo 1

a)

Vamos começar expondo as hipóteses que o enunciado pediu para testarmos:

H 0 :     μ ≥ 12 k m / l

H 1 :   μ < 12 k m / l

“Aiii, mas comé que faz teste com sinal de ≥ na hipótese nula???” Relaaaxa, nosso teste vai ser feito exatamente da mesma forma. Escreve assim porque foi pedido pelo enunciado, mas não se preocupa que nossa resolução vai ser a mesma.

Então estamos num teste unilateral inferior para média.

Passo 2

Nossa estatística de teste é dada por:

Z t e s t e = x - - μ σ / n

Pelo enunciado, conseguimos identificar todos esses caras aí da fórmula. Substituindo:

Z t e s t e = 10,8 - 12 4 / 36 = - 1,8

Agora calculamos nosso P-valor. No unilateral inferior, ele é dado por:

P - v a l o r = P Z < Z t e s t e = P ( Z < - 1,8 )

Mas desse jeito não conseguimos achar nosso z na tabela da Normal, temos que tirar esse negativo. Para isso, invertemos o sinal de < :

P Z < - 1,8 = P ( Z > 1,8 )

Mas agora entramos no problema do sinal > , a nossa tabela dá valores para P ( Z < z ) ! Então vamos trabalhar com a probabilidade complementar:

P Z > 1,8 = 1 - P ( Z < 1,8 )

Procurando z = 1,8 na tabela...

1 - P Z < 1,8 = 1 - 0,9641 = 0,0359

Então esse aí é o nosso P-valor. No enunciado, podemos ver que nosso nível de significância α = 0,05 , daí temos que:

P - v a l o r < α

Passo 3

b)

Agora temos a mesma coisa que anteriormente com o porém do novo P-valor. Como nossa hipótese alternativa tem o sinal de ≠ , estamos num teste bilateral.

No teste bilateral, o P-valor é dado por:

P - v a l o r = 2 × P ( Z < Z t e s t e )

Nosso Z t e s t e continua a mesma coisa, ou seja, - 1,8 . Então:

P - v a l o r = 2 × P ( Z < - 1,8 )

E nós já calculamos essa probabilidade no item anterior:

P - v a l o r = 2 × 0,0359 = 0,0718

Como nosso nível de significância α = 0,05 , temos que:

P - v a l o r > α

E quando isso acontece, nós não rejeitamos a hipótese nula!

Passo 4

c)

Para calcular a região de rejeição (ou crítica) do nosso teste unilateral inferior, temos que calcular nossos pontos críticos.E nesse tipo de teste, ele é dado por:

z c r í t i c o = - z 1 - α

Mas a gente usa esse ponto para comparar com a nossa estatística de teste, que é padronizada, certo? E quando a gente padroniza, os nossos valores dos parâmetros mudam e não são mais valores reais do problema, por que nós subtraímos μ e dividimos tudo por σ / n :

Z t e s t e = x - - μ σ / n

Então, se o nosso valor de Z t e s t e não é o valor real, e a gente compara esse cara com o z c r í t i c o , isso provavelmente significa que o z c r í t i c o também não é real! E é justamente isso, o z c r í t i c o é um falor padronizado, que nem o Z t e s t e .

Mas aqui nós queremos comparar diretamente com o valor μ = 10 k m / l , que não é um valor padronizado. Então vamos “despadronizar” o z c r í t i c o fazendo as operações inversas da padronização: ao invés de subtrair μ e dividir por σ / n , vamos multiplicar por σ / n e somar μ :

z c r í t i c o = - z 1 - α   σ / n + μ

Vamos calcular o valor de cada termo dessa equação então, lembrando que α = 5 % :

- z 1 - α → - z 0,95 ≈ - z 0,9495 = - 1,64

σ / n = 4 / 36 = 2 / 3

μ = 12

Lembrando que esse μ é o μ que estamos testando, não necessariamente o μ real! Ou seja, é o μ que usamos para escrever as hipóteses.

Juntando todos esses valores, temos o nosso ponto crítico:

z c r í t i c o = - 1,64 × 2 / 3 + 12 = 10,91

Passo 5

Agora que temos o ponto crítico, basta lembrarmos que, num teste unilateral inferior como é o nosso caso aqui, a região crítica é dada por tudo que está abaixo do ponto crítico. Então:

R C = { x - < 10,91 }

Passo 6

Erro de tipo II é quando não rejeitamos H 0 , mas H 0 é falsa. A probabilidade desse erro acontecer é:

P e r r o I I =   P x - ∈ R A H 1   é   v e r d a d e i r a

No nosso caso, o enunciado diz que o valor verdadeiro de μ é 10 k m / l . Então:

P e r r o I I = P x - > 10,91 x -   ~     N 10 ; 4 ²

Calculando isso:

P e r r o I I = P Z > 10,91 - 10 4 3 6 = P Z > 1,37 = 1 - P Z < 1,37 = 1 - 0,9147

P e r r o I I = 0,0853

Resposta

a)

Rejeitamos a hipótese nula.

b)

Não rejeitamos a hipótese nula.

c)

R C = { x - < 10,91 }

P e r r o I I = 0,0853

Exercícios Resolvidos de P-valor

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